sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
Sopro. O teu murmúrio no movimento em sucção.
Canto. Um sorriso oferecido que escorrega do grito invertido.
Oiço. As falésias que me perseguem onduladas por chamamentos.
Encerro. A distância que nos segrega, o peso que nos mantém vivos.
Escondo. A pobreza; a resignação; os bocejos.
Potencio. O túnel da solidão como acolhedor da sublimação.
Silencio: A morte.
quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Disse-me: vem conquistar o meu antro de fertilidade. E eu fui. Não fecundei. Fui.
Riu-se de mim; o medo. Riu tanto. E eu fiquei. Fiquei assim: fiquei cega com ânsia de te sorrir. Dobrei a esquina e fiz-me sal: sal que me molha e rega e foge para o interior.
Pausa.
O medo apoderou-se. Quis que cantasse o teu som – aquele que sabemos de cor.
Disse-me: é hora. É hora de te dar o que sou na melodia seguinte, nos braços ferrados, cerrados de amor. E bebeu de mim. Jurou cumplicidade. Jurou tanto.
Fiquei grande com tremuras de pequenina. Soltei o peito e brotou de ti, que estás longe, um refugo de tempestades invisíveis que espancam e ferem o nosso espaço tão curto.
É mais disto do teu tempo que perco na essência das coisas sem sentido e sem paz e sem segundos reais.
O medo. Sempre o medo a quebrar as barreiras da existência.
Sem tempo. O tempo de pintar a gosto um passeio encadeado nos movimentos ondulantes dos nossos corpos – segredos – que escolhemos não pensar.
A galope.
O medo olhou-me. Olhei o medo. E assim ficámos nas eternidades cavalgantes.
segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
sexta-feira, 8 de Maio de 2009
terça-feira, 21 de Outubro de 2008
Juras que o sal não pede perdão e apenas refresca a vontade do ouro, ancorada nesse limiar doce a que chamamos degelo.
Corres pela estrada e não olhas para o fogo, nem ameaças as lanças da menina selvagem que julgaste perder. Queres tudo, como se a boca coubesse num trago, no nosso lume de amor; e a vida acontece na nudez do teu corpo suave; e o desaparecimento invade a sombra porque também as cores se disfarçam à chuva e o meu ego adormece contigo.
Pára o silêncio com a mão que embala os traços. Paras tu. Paramos nós. Para que o tempo se descubra e se abra, para que as letras se fundam em âmagos, para que a música retorne intacta.
sexta-feira, 11 de Julho de 2008
Dedilho seda no escorrega da noite.
Aconteceu Aconteceu a tristeza arrumada no trilho
E quem disse
quem disse que a água evapora os espaços
negros?
Mexo os dedos rasos
dor pela saliva no teu barco
Os lemes navegam no mastro
quebrado, Segues longe
longe perdido longe
O toque floresce
do rasgo chamando a redenção:
não te devo arrependimentos de sobras
laços que fomos quebrando
indisposições de ouvidos
do prato que quisemos lavar
a partir o caminho que se negou a consumir
Salta e dança e salta e vira o teu rosto para o meu
e delicia a maré com as ondas
navegador do meu pó revolto
caixão que me escolhe por branco
e me tem e me é.
A seca desdobra-se na descida
corpo vazio
O vento pega na vida
fecha a liberdade num nódulo esguio
repete o gene
mata: constrói as harpas à troca do frio.
Não sei escolher a salubridade pela voz
amarrotar a pele sem os teus poros
E galopo pela gruta acima
calcorreando as verdades
tontices
que se fundem para se amar
Está abafado
aqui no cume que aquece a ausência
O barco voa sem ti
na imagem e nos escombros
lindo revólver que por dentro escondi
Mato-me tantas vezes
e tantas vezes renasço
sonho-me tão pouco
e tão pouco me acho.
Não és tu o segredo do que ofereço
não és tu a parte da parte que me cobre
não somos nós
não somos nós
A morte vira-nos as costas
senta-se por cima das ondas
e leva a cauda ao fundo.
Onde vais?
Nessa jangada de madeira que lancei ao mar?
Nesse mar que trago na mão e que beijo?
Ou
Ou por tão simples destreza de ser
As folhas são os poemas que te fazem nascer?